O PSD pega fogo no Pará e racha: maioria rejeita Helder e define apoio a Márcio Miranda

O partido, reunido ontem em Belém, por ampla maioria tomou a decisão

A passagem do deputado Jair Bolsonaro por Marabá e Parauapebas deixou faíscas próximas de um barril de pólvora. Na iminência da explosão, já rachado, está o Partido Social Democrático (PSD). Enquanto a maioria, após reunião em Belém, fechou apoio ao pré-candidato Márcio Miranda (DEM), outra parte do PSD, que tem o deputado federal Eder Mauro e o ex-vice governador Helenilson Pontes, definiu-se por subir no palanque e abraçar a campanha do pré-candidato, Helder Barbalho (MDB).

O presidente nacional do partido, ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Cassab, foi acionado para apagar o incêndio. Vai precisar de uma carga de extintores. Mesmo sem pisar no Pará, uma fonte do PSD em Brasília disse que Cassab ficou chamuscado pela bomba que botaram no colo dele.

Por outro lado, não está fácil a vida do MDB no Pará. As principais lideranças do PSD paraense reuniram-se ontem, terça-feira, com Márcio Miranda, pré-candidato do partido Democratas ao governo do estado, e deixaram claro que não estão gostando nem um pouco da imposição do partido coligar com Helder Barbalho.

Eles veem a interferência direta do presidente Temer, do MDB, nessa decisão. O recado foi direto: não estão dispostos a ceder à pressão que o presidente Temer está fazendo sobre a cúpula nacional do partido para forçar uma aliança entre PSD e MDB na chapa majoritária local.

Entre os líderes do PSD paraense que participaram do encontro com Márcio Miranda, estavam o deputado federal Joaquim Passarinho e os deputados estaduais Coronel Neil, Júnior Ferrari e Gesmar Costa, além de prefeitos e vice-prefeitos.

Em uma demonstração da unidade do partido e do descontentamento com as pressões que o PSD paraense vem sofrendo externamente, a grande maioria dos integrantes da chapa proporcional fez questão de participar da reunião.

Dos quatro pré-candidatos a deputado federal, três estiveram presentes, e dos 12 pré-candidatos a deputado estadual, sete estavam lá e três não puderam ir, mas justificaram a ausência e se manifestaram favoráveis ao apoio a Márcio Miranda, confirmando o maciço apoio da base do partido aqui no Estado para Márcio Miranda

Candidato de Temer

De acordo com as lideranças, a decisão de continuar ao lado do candidato do Democratas não foi tomada apenas de forma individual. Cada um deles procurou ouvir seus eleitores, que rejeitam qualquer apoio a Helder Barbalho, “candidato que tem o apoio de Temer “. O clima da reunião foi tranquilo, mas as falas foram enfáticas, reforçando a importância de seguir acompanhando Márcio e de resistir a qualquer imposição.

Depois de ouvir atentamente as declarações dos medalhões do PSD paraense, Márcio Miranda fez questão de agradecer pelo importante apoio e aproveitou também para apresentar algumas de suas propostas de ação, caso seja eleito governador do Pará.

Márcio afirmou que vai “desenvolver políticas públicas com um forte foco nas questões sociais e em projetos de desenvolvimento, com investimentos em saúde, educação e infraestrutura”.

Carlos Mendes/informações Ver O Fato