Por G1

01/03/2018 10h28 Atualizado há menos de 1 minuto

O prefeito de San Buenaventura, município do norte de La Paz, sofreu no fim de semana um castigo por sua suposta má gestão: Javier Delgado foi amarrado pela perna, de acordo com o jornal “El Deber”.

Para o prefeito, houve “uma total confusão, uma tergiversação [distorção] da informação” motivada por pessoas que buscam revogar o seu mandato. Segundo ele, no protesto havia pessoas defendendo interesses pessoais e políticos.

Uma foto divulgada pelo jornal, mostra o prefeito sentado no chão, com a perna presa a uma estrutura de madeira, conhecida como “cepo”. Uma “punição” que ele já tinha sido submetido em 2015 e 2016 no povoado de Tumupasa, um assentamento da etnia Tacana. O jornal “El Dia” afirma que nas duas primeiras ocasiões ele foi acusado de não cumprir suas funções e mentir para seus eleitores.

‘Castigo moral’

Delgado afirmou que não pode se defender porque estava “praticamente decidido o castigo” ainda que depois ele tenha conseguido esclarecer a situação.

“Tenho o vídeo em que eles me pedem desculpas em público. Trata-se de uma intransigência por má informação, por desinformação intencionada”, declarou.

Delgado declarou ter ficado profundamente triste com o ocorrido. “[Foi um castigo] mais que físico, moral”.

Punição: costume indígena

Os povos indígenas bolivianos se guiam por princípios éticos “não seja fraco, não seja mentiroso, não seja ladrão” e pelo conceito de justiça comunitária, reconhecido na Constituição de 2009.

Porém, a justiça comunitária não prevê o “cepo”, mas apenas sanções menores como multas ou trabalhos comunitários, de acordo com o Infobae.

A lei prevê que os moradores “julguem” apenas delitos menores como roubo de gado ou invasão de terras. Os crimes mais graves devem ser encaminhados à justiça comum.

Moradores da área rural costumam ir além e chegam a tomar atitudes extremas, como linchar ladrões.